Eis outra questão: Qual é a idade adequada para uma criança ter um telemóvel e se é diferente para raparigas e rapazes?
Essa é uma questão interessante. Não tenho a certeza de que exista uma “idade certa” específica, mas sim a necessidade de uma educação correta sobre como utilizar o dispositivo.
Algumas crianças precisam de um telefone principalmente para comunicar - para contactar os pais sobre passeios, actividades ou horários. Para outras, o telemóvel torna-se o principal meio de comunicação com os amigos. A questão importante é compreender o objetivo do aparelho.
Também precisamos de pensar em limites. O telemóvel tem hora para ir para a cama? Digo isto em tom de brincadeira, mas é importante. Costumo brincar com o meu filho dizendo que o telemóvel dele tem de ir para a cama. Em nossa casa, a regra geral é que os telemóveis dormem fora do quarto porque os dispositivos podem criar distracções à noite através de mensagens ou notificações.
Em vez de se concentrarem apenas na idade, os pais devem perguntar: Qual é o objetivo do telemóvel e esta é a melhor forma de satisfazer essa necessidade? Quando o objetivo for claro, os pais podem estabelecer uma educação adequada e orientações sobre a forma como o dispositivo será utilizado.
Estas conversas devem acontecer repetidamente e não apenas uma vez. As conversas contínuas ajudam as crianças a compreender a utilização saudável da tecnologia. Tive muitas conversas abertas com os meus filhos sobre a utilização de dispositivos e o seu impacto na saúde mental e no bem-estar.
A investigação mostra que os dispositivos podem influenciar o estado de espírito, a perspetiva e até a forma como interpretamos a realidade. Os algoritmos são concebidos para manter os utilizadores envolvidos, alimentando-os continuamente com conteúdos baseados em interesses, o que pode rapidamente tornar-se avassalador.
Por este motivo, é importante estabelecer limites, manter uma comunicação aberta e ajudar as crianças a compreender o que está a acontecer quando utilizam estes dispositivos. Não quero que os meus filhos naveguem sozinhos na tecnologia. Deixar as crianças a gerir os dispositivos sem orientação pode ser arriscado, por isso os pais têm de se manter envolvidos e ligados.